31 March 2006

Sabia que...?

Sabia que, neste país em que ninguém acredita, há instituições públicas que fazem milagres a partir do nada? Graças à carolice de uns e outros temos:
... autistas a efectuarem revisões de texto...
... surdos-mudos multideficientes que se conseguiram adaptar, comunicando através da palavra gestual por contacto, podendo desempenhar funções como qualquer outra pessoa...
... pessoas com doenças mentais na digitalização de documentos...
... deficientes do foro mental nas oficinas, jardinagem...
... invisuais no tratamento dos livros em braille e no livro sonoro...
para além de, sem recursos, todos juntos, termos conseguido:
... a digitalização de quase 6000 obras (livros, cartografia, iconografia), o que no total dá cerca de 40 Tera de informação...
isto sem os recursos monetários necessários
... graças à carolice de uns e outros que inventam computadores de peças que outros pensam serem lixo...
... servidores que outros pensam serem computadores...
... recursos a software opensource porque não há dinheiro, não há apoio, todos querem mas não há meios...
... que na Europa somos os que temos o maior depósito de obras digitalizadas mas ninguém sabe porque tudo o que é publico é mau...
... que há voluntários para o livro sonoro mas não há divulgação. Mas mesmo assim, por carolice de uns e outros, nunca paramos...
... que as páginas das obras dos grandes escritores e poetas de Portugal não se vão perder porque estamos a colocá-las no projecto Gutenberg's, através do projecto de voluntariado Distributed Proofreaders, e já lá estão 48 obras para quem quiser ir buscá-las ou simplesmente lê-las...

Não, não sabia. Tenho a certeza que não. Mas agora já sabe!

30 March 2006

um objectivo

Se em Portugal se consegue pôr 35 000 pessoas a correr / andar com um objectivo comum e sem lucro nenhum aparente para além de ficar um pouco ou muito cansado, então porque raio não conseguimos criar uma motivação que nos faça perceber que temos o pais imperfeito mais perfeito da Europa. O problema, como sabemos, está nos habitantes, os ditos portugueses, mas eles também são a solução, por isso é preciso acreditar, desejar por algo que possamos construir. Não basta juntar pessoas só para correr, e além disso até pagaram, é preciso criar uma onda de optimismo que cresça mais que os problemas reais do país. Um país que não acredita em si próprio mais vale a pena deixar de existir, e assim sendo, venham os espanhóis e fiquem com este pedaço de terra de graça. Continuo a acreditar que podemos ser melhores, que podemos mudar os que achamos que está mal, e que as constantes queixas sobre tudo e todos, não resolvem nada. Lembro-me sempre daquele sacana do John F. Kennedy, não perguntem o que é que este país pode fazer por vocês, mas o que é que nós podemos fazer por ele. Ah e o Fado não tem nada que ver com isto, porque os melhores cantores de fado sempre foram e são pessoas optimistas. Não vivemos a leste do paraíso, porque há muito o abandonámos, estamos num local privilegiado no mundo, e há todo um mar é nossa frente, mesmo que às vezes seja frio.



26 March 2006

ORDEM

Meus caros postadores, não me obriguem a puxar dos meus galões de fundador da CAOS. Diálogos de degladiação não constam no espírito da coisa. Tenho andado demasidado optimista para escrever sobre o que quer que seja, talvez mesmo ando meio pateta, a meio caminho entre optimismo e alienação. Ser optimista não é necessáriamente uma tarefa, mais uma crença, um estado de espírito que nos impele a mudar as coisas à nossa volta ou a ver as coisas más como tendo uma solução ou lados positivos.
Assim, peço a vossa ajuda, porque há que ser modesto em pedi-la, e sejamos empreendedores.
Lembro a todos que a KTF-ORDEM é sempre mais fácil de produzir coisas, mas é mesmo isso que queremos/quero combater. Viva a CAOS que tenta aniquilar o ORDEM

25 March 2006

está no sangue ou nos genes?

Eh pá!!! tenho reparado que entre a citação filosofica e a poesia, este blog de optimismo é um fado melacólico. E onde anda o fogo, e a energia de os optimistas anónimos. Porra isto pareçe um encontro de velhinhos saudosistas. Se está no sangue que se faça uma transfusão colectiva, um pedido de ajuda aos bizinhos, um SOS...e acho que funciona. Se é genes ? Bem ai não tenho soluções.

Que se animem os corpos, que salte da gelra o optimismo selvagem e enérgico.

23 March 2006

o essencial

Uma vez mais é preciso não esquecer que toda a humanidade depende dela.
Apesar de esquecido aqui em Portugal houve pessoas que fizeram algum trabalho e que vale a pena divulgar.
Fórum Mundial da Água na cidade do México.
Ver site aqui e pavilhão feito por bons portugueses.

Um poema no feminino...

Pretexto

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)

Maria Alberta Menéres

22 March 2006

poesar no seu dia mundial

Cedido pelo do meu amigo Tiago...a quem deixo um abraço de optimismo para ele a família.

a escuridão

tenho medo. de noite, quando não consigo dormir, a morte
ressuscita mortes. deitado sobre a cama, uma mão negra
desce do tecto para me tocar no peito. tenho medo. silêncio
e frio sobre o meu corpo. olho para dentro de mim e não
vejo nada. tenho medo. todos os que me chamam de dentro
da escuridão sabem que há uma casa com paredes antes
de mim, sabem que eu não sou aquele que ilumina o mundo.
tenho medo. quando não consigo dormir e prolongo as
noites, a culpa envolve-me de medo e frio, o silêncio diz-me
para esperar, pois o descanso virá com a noite maior,
a noite em que a manhã nunca chegará.

Casa, A Escuridão, José Luís Peixoto, Temas e Debates, Lisboa, 2002

18 March 2006

é o que dele fazemos

Sobre as manifestações de jovens e outros em França pouco sei. Não sei se concordo nem se fazem sentido, mas leva-me a pensar uma coisa, tendo eles ou não razão, é que um dia também eles terão a idade dos seus pais que lutaram no Maio de 68. Por isso hoje estou optimista, os jovens serão adultos e os adultos velhos, mas a história será sempre nova, mesmo que se repitam certos vícios e certas manias.
Os jovens raramente têm razão, porque ser jovem é construir razões... e hoje apeteceu-me ser velho.
Muito se grita por aquilo que se não tem e pouco se luta por aquilo que se tem.

Olisipo...




Nada como andar de metro. Não há paisagem e nas diferentes estações que sou obrigada a rever tenho sempre o (des)prazer de ouvir diariamente a mesma toada "you're beautiful". Felizmente retiraram a Madona. Por essa altura foi ponto assente que precisava de um leitor de MP3. Ninguém, no seu melhor juízo, consegue chegar, deste modo, bem disposto ao trabalho. Que se aguente os encontrões, as molhas, a má educação, as correrias, ainda vá...

Porque chove, à entrada do metro os vendedores de guarda-chuvas brotam, de imediato do chão. Já não há pregões, os autocarros teimam em passar em cima das poças de água para que os peões sejam encharcados.

(onde está aquele sol do outro fim de semana?)

As calças estão ensopadas, o trânsito está um caos e as estradas são atravessadas sem cuidado. Chegar, chegar, chegar, nada mais interessa.

Os largos vão-se formando por todo o lado. Quando já não me distingo das biqueiras dos prédios pombalinos da Baixa Lisboeta eis que surge o Tejo.

Nada como a chuva sobre a água e a água debaixo da chuva, a foz à distância e Lisboa a ficar para trás para que tudo o mais seja só indiferente!

16 March 2006


Não é difícil de reacreditar. Basta voltar tentar sentir: desligar o aparelho da televisão, deitar fora o jornal, passear lá fora num dia ameno; ver com as mão e ouvir o mundo.
Pode parecer poético, ridículo até. Não o é. Ridículo é desconhecermos quem somos e nós somos ser da natureza, mas esquecemo-nos.
Depois, regressem às vossas vidas e não se esqueçam de sonhar e acreditar. Mas sem executarem e perseguirem intensamente o que desejam, acabam por serem Homens sem rasto.

14 March 2006

CANÇÃO DA PRIMAVERA



Eu, dar flor, já não dou.
Mas vós, ó flores, Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, invernos e outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio...
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,

Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.
Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;

Ter sol, não tenho; e amar...
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?


José Régio

À Primavera que chegou, para que não se vá embora que nós, os Lusitanos, não gostamos muito desse frio horrível. Nada como um bom sol, uma esplanada, praia e não fazer nada!!

13 March 2006

O eterno retorno sem mito

De novo os dias crescem e de novo se renovam as esperanças.
Bem aventurados os que vêm por bem e outros mais além.
E gosto particularmente destes finais de dia... fazem-me sentir optimista.

12 March 2006

água ou veneno

Aconteceu ontem (Sábado 11Março 2006) a uma amiga minha e deixo aqui um aviso. Cuidado, muito cuidado ao beberem garrafas de água. Verifiquem sempre se está fechada e antes de beber tentem perceber se a água não está de alguma forma estragada. Uma vez mais houve uma vítima da negliência de alguém. Está neste momento em que escrevo internada no hospital de Santa Maria, e teve algumas queimaduras no esófago, devido à ingestão de um produto que continha a tal garrafa de água. Ela sofreu e sofre ainda, mas importa agora lembrar e voltar a lembrar. Fica o aviso, passem aos vossos amigos. Esta publicação não é uma história de mau gosto, é antes um relato de um acontecimento que não devia ter acontecido. Sabemos que não podemos viver a vida sempre com medo, mas é preciso não deixar de ser prudente... a vida é demasiado cara para o nosso plafon do cartão de crédito. É preciso sabermos isto, que mais não seja para que a minha amiga seja a última a quem aconteceu esta coisa.
A água às vezes mata mais que a sede.
Mas estou optimista que ela vai recuperar e tudo não passará de um pesadelo. Estou contigo Ale...

11 March 2006

11M

Não somos nada.
Nunca seremos nada.
Não podemos querer ser nada.
À parte isso, tinhamos em nós todos os sonhos do mundo.

Roubado a Pessoa e alterado em memória dos partiram e que já não ousam sonhar...

Porque o futuro é já hoje, CARIÑO.

Novos tempos, velhas regras


Sinto-me optimista, muito optimista. Aliás, esperançosa que os novos (neo?) liberais portugueses compreendam que o tempo economicista (liberalista?) já chegou.

Se sentem tão descontentes pela vida que levam, pelas dificuldades que atravessam no seu dia a dia, pela falta de voz que têm, é só devido ao facto de não serem os Patrões, os donos do dinheiro, o Poder que ambicionam.A minha verdadeira alegria e profundo optimismo é que, com mais uns furos no cinto e umas chicotadas como verdadeiros escravos dos tempos actuais, acabem por acordar, despertar, saírem desse torpor onde se enfiaram ao lerem tanta utopia estranha.

Nessa altura, hão de se lembrar que o regime feudalista (disfarçado de liberalista, ou o contrário, escolham a ordem) parecia ser tão fantástico mas, na realidade, serve a quem já tem.

Os outros ficarão sempre cada vez piores, como o prova a História.

10 March 2006

há coisas...

Mesmo para um optimista simples há coisas dificeis de perceber...

08 March 2006

estou optimista

Ele aí vem. Não gosto do homem, nem do senhor. Não o conheço pessoalmente, nem pretendo. Nunca gostei dele e possivelmente nunca virei a gostar. Por isso, julgo da imagem que dele criei. Se é competente ou não como Presidente, também não sei, não tenho dotes advinhatórios. O certo é que nunca gostei nem aprecio Sampaio, mas ele lá esteve... com tudo o que isso quer dizer. Mas como, e a correr tudo normalmente, Silva irá ficar por 5 anos em Belém e depois se calhar mais 5, por isso só me resta, para não ter vontade de emigrar, ser optimista. Senão o que mais nos resta? A ver vamos, como diz o cego.

clicar...ou talvez

Clique se quiser e julgue por você mesmo. Para pensar no assunto recomendo a leitura do post no Blog aqui que fala sou eu para nos fazer pensar. A ler o texto aqui.
Tem pelo menos o dom de nos fazer pensar nestas coisas, valha -nos isso.

07 March 2006

cito... de um cego

Los Conjurados


En el centro de Europa están conspirando.
El hecho data de 1291.

Se trata e hombres de diversas estirpes, que profesan
diversas religiones y que hablan en diversos idiomas.
Han tomado la extraña resolución de ser razonables.

Han resuelto olvidar sus diferencias y acentuar sus afinidades.
Fueron soldados de la Confederación y después mercenarios, porque
eran pobres y tenían el hábito de la guerra y no ignoraban que todas
las empresas del hombre son igualmente vanas.

Fueron Winkelried, que se clava en el pecho las lanzas enemigas
para que sus camaradas avancen.

Son un cirujano, un pastor o un procurador, pero también son
Paracelso y Amiel y Jung y Paul Klee.

En el centro de Europa, en las tierras altas de Europa, crece una torre
de razón y de firme fé.

Los cantones ahora son veintidós.

El de Ginebra, el último, es una de mis patrias.

Mañana serán todo el planeta.
Acaso lo que digo no es verdadero; ojalá sea profético.

Jorge Luis Borges
(Ficou cego aos 50 anos viveu até aos 87)

rever

Vivemos num mundo cada vez mais feito de imagens. A música agora tem toda telediscos. A comida nunca esteve tão bonita. Os perfumes são guardados dentro de obras de arte do design. A pele veste roupa para ser vista. Como verá um cego isto tudo? Mesmo dita assim a frase parece fazer sentido. Precisamos, mais do que ver, voltar a ver, ver outra vez de novo, como lembrava tão bem Borges. Melhor que ler é reler.

uma questão de visão

Às vezes dizem; "que estás na aldeia e não vês as casas". Mas eu sempre que vou às aldeias, vou lá para ver as pessoas, se as houver e as casas que lhe fazem de cenário. Por isso gosto tanto de Roma, porque tinha pessoas com cenários magnificos por detrás. E tudo aquilo, mais do que ser Histórico é uma bela História ainda viva. Por isso estou optimista em relação ao futuro, é preciso é achar a História certa.

06 March 2006

uma pergunta

Eu não vejo a cerimónia dos Óscares, mas será que o sr Bin Laden vê? E se vê, porque será que o faz? Será pelas actrizes ou para copiar o argumento de alguns filmes? Lá dizia um qualquer guerreiro japonês, conhece o teu inimigo, porque ele já foi tão teu amigo. Mas o bom disto tudo é que mesmo não vendo a cerimónia dos óscares vejo que em directo na TV estão pessoas estrangeiras todas a rir, e NÃO HÁ LEGENDAS. Fantastico, isto de tirar o som à tv faz dos portugueses capaz de ler os lábios, ou então entender inglês. Aposto que é a primeira, por isso hoje estou manifestamente optimista, porque há lábios muito sensuais.

04 March 2006

cito declamando

Neste tempos em que o mundo anda assim para o estranho fui ao baú e descobri esta pérola;

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Carlos Drummond de Andrade

03 March 2006

La Palissadário

O Bom de Hoje, é que ontem era Amanhã.

O Homem

Fez dia 1 de Março (ontem) 10 anos que Vergílio Ferreira nos deixou. Um vulto maior da nossa cultura, um ser humano do mundo e escritor universal. Prefiro lembrar a data do seu nascimento - 28 de Fevereiro de 1916, porque optimista me sinto. O homem que acreditava que quando acabasse esta vida, acabava, mas ele sabia que o seu pensamento não. Aprendi alguma coisa com ele, que mais não seja pensar... noutras coisas.
E cito: Ao princípio não era o Verbo mas a emoção de o dizer.