
Da última viagem decorrida, a Marrocos, uma coisa me ficou daquele vendedor e simpáctico, porque tem que vender, povo. Não há nada que não se possa arranjar. Ou seja, tudo se consegue, num misto de desenrascanso com uma ponta grande de oportunidade. Talvez será o facto de serem um, ou melhor, muitos povos que habitam um espaço nem por isso tão comum, que faz com que uma das sensações com que fiquei foi a de que ali tudo se consegue fazer, mesmo viver no deserto. Há sem dúvida muito espaço e tempo que nos separa dos nossos "amigos" de Marrocos, mas a porta norte de entrada e saída de África é sem dúvida um país a ver e a rever, com calma, e sem os olhos de turista apressado a tirar fotos e a comprar souvenires. Ali há toda uma massa humana que trabalha fazendo o que for preciso, e ali tudo se consegue. Nunca os ouvi dizer isso não há, ou está fechado, ou aquilo não funciona. Naquele país a sensação que fica é que tudo pode ser feito, mas faltando em muito casos aquilo que nós europeus chamamos o essencial. São por natureza um povo, pareceu-me, optimista, porque senti nas suas pessoas uma alegria de vida e uma vontade de viver o presente. Naquele país onde as pessoas parecem estar em toda parte, mesmo nos sítios mais improváveis, tudo se move, talvez noutra direcção, noutro caminho. E como dizem por lá, «inschallahh» que as coisas melhorem, porque merecem. Aqui, quando se volta, é bom sentir que estamos apesar de tudo, na Europa, mas isso já nós sabemos há muito.
E há uma frase me ficou na cabeça; «un stylo monsieur, un stylo!».